CONTATO  

ATENDIMENTO

A região de Jardim Gramacho/Duque de Caxias-RJ registra um dos piores Índices de Desenvolvimento Humano do estado do Rio de Janeiro, é isso não é difícil de compreender. No bairro está localizado o conhecido “Lixão de Gramacho”, o maior aterro da América Latina (foto abaixo). São centenas de famílias que sobrevivem diretamente do que retiram do aterro. E outras centenas que sobrevivem indiretamente dessa atividade em razão do ciclo econômico que a catação e reciclagem do lixo poduzem.

Em dezembro de 2004 a CENTRAL DE CIDADANIA fundou sua unidade no local, onde desenvolve o Projeto Pé na Escola, com ações de combate à fome, à evasão escolar, e ao trabalho infantil (catação de lixo, entre outros), além de programas de complementação escolar e qualificação para o trabalho para jovens e adultos. Mais de 200 pessoas são beneficiadas diretamente pelo programa.

 

O Programa “Pé na Escola” dedica-se à inserção das crianças na rede pública de ensino, e à implantação da “jornada integral” com atividades culturais, de recreação e de reforço escolar, na sede da instituição, localizada no bairro (foto acima). O público alvo são os filhos menores dos catadores do Aterro de Gramacho. Antes da iniciativa da Central de Cidadania, a maioria dessas crianças exercia atividades insalubres, como a catação de lixo em pequenos aterros clandestinos espalhados pela região. Á época da implantação do projeto, pelo menos 60% das famílias declararam consumir alimentos encontrados no lixo. A iniciativa tem como metas reduzir a evasão escolar, melhorar o rendimento do aprendizado dos beneficiados, combater o trabalho infantil, e garantir alimentação digna aos meninos e meninas atendididos.

 

A VIDA EM DOIS TEMPOS: crianças nos lixões, e crianças atendidas pela Central de Cidadania.

JARDIM GRAMACHO: O HAITI É AQUI?

As ruelas das comunidades do entorno do Aterro de Jardim Gramacho podem ser facilmente confundidas com as cenas de extrema miséria que os brasileiros se acostumaram a ver nas reportagens sobre o Haiti. Entretanto, ao contrário do que muita gente imagina, nas regiões metropolitanas das mais ricas cidades do Brasil há redutos de exclusão social comparáveis ao país mais pobre das Américas ou da África. Guardadas as devidas interpretações da letra, lembram os versos de Caetano Veloso, na música "Haiti": "O Haiti é aqui... O Haiti não é aqui".

As comunidades situadas em torno do Aterro de Gramacho – em Duque de Caxias/RJ - são uma comprovação disso. Cenário de guerra e de catástrofes naturais, vielas de barracos construídos onde antes era o mangue, muitos locais sem iluminação pública regular, rede de esgoto, fornecimento de água e qualquer sinal da presença do Poder Público.

O lado ainda mais sombrio da história dessas pessoas é que boa parte dos moradores (quase 60%) se alimenta regular ou eventualmente de produtos recolhidos no próprio “Lixão de Gramacho”, de acordo com pesquisa de campo realizada pelo ICEC quando se instalou na comunidade. Situação trágica que fez estes catadores ganharem o apelido pejorativo de “Bocas de Latão”.

Compare as fotos: O HAITI É AQUI?

Guardadas as proprções de país x bairro, pela semelhança das paisagens, as fotos chegam a confundir o caro navegante. Lamentavelmente, o que nos difere é que - ao contrário do Haiti - Jardim Gramacho (Rio de Janeiro/Brasil) não sofreu nenhum terremoto, tão pouco é atingido regularmente por furacões e tempestades violentes. E Jardim Gramacho não é caso único no Rio de Janeiro e no Brasil.

JARDIM GRAMACHO: Riqueza e Pobreza, lado a lado.

Jardim Gramacho pode ser considerado um dos maiores exemplos do abismo social existente no Brasil. A comunidade fica situada às margens da Rodovia Washington Luís (Rio-Petrópolis), e abriga o maior aterro sanitário do Estado do Rio de Janeiro, conhecido como “Lixão de Gramacho”. Ironicamente, na mesma região está instalada a mais completa refinaria de Petróleo do País, a REDUC, empresa que garante a Duque de Caxias, um dos maiores PIB’s – Produto Interno Bruto – do Brasil.

Em Jardim Gramacho, paradoxalmente, a riqueza do petróleo e a miséria dos lixões são conhecidos vizinhos. Aqui, fortuna e pobreza moram ao lado, separados por alguns quilômetros. Duas faces de um Brasil que ainda busca uma fórmula mais justa de dividir entre seu povo as riquezas que produz.  Serve como reflexão sobre o uso das futuras riquezas do pré-sal. Nossa Solidariedade aos irmão de Jardim Gramacho, Haiti e demais regiões que sofrem com a miséria. São em comunidades como Jardim Gramacho que a CENTRAL DE CIDADANIA atua de forma intensiva, procurando amenizar o sofrimento de famílias inteiras, com especial dedicação às crianças.